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«Os manuscriptos conhecidos de Bernardim Ribeiro andavam ligados com os de Christovam Falcão, como se vê pela descripção do n.º 180 da Livraria do Conde de Vimieiro: Obras em prosa e verso de Sá de Miranda, Bernardim Ribeiro e Christovam Falcão;»

Do artigo «Movimento litterário».

«Tem o volume que examinei 287 folhas, as quaes nos primeiros numeros eram 330, porem as que lhe faltão, parecem mudadas para outras Collecções, e sendo a letra, e papel de duzentos annos de antiguidade, pois a folhas 122 se acabão as noticias com a morte del Rei D. Manoel, que foi a 13 de Dezembro de 1521; se conserva este manuscripto inteiro, e em bom estado

«A segunda divisão deste livro consiste em algumas Memorias de successos raros de Europa, como são uma carta del Rei Ludovico de Hungria para o Emperador na ultima batalha que deu ao Turco, uma Relação dos infelizes principios de Luthero, e outros. Seguem-se cartas de homens celebres d'aquelle tempo pelo seu engenho, e graça, que entre as alusões jocoserias descobrem memorias particulares: deste genero são sete de Antonio Ribeiro Chiado, duas de Lourenço de Caceres, e outros. As obras em prosa, e verso de Francisco de Sá de Miranda, as de Bernardim Ribeiro, Christovão Falcão, André Soares, Francisco de Moraes, Gil Vicente, Duarte de Oliveira, o Barão D. Diogo Lobo, e outros Poetas antigos, servem de verificar as varias lições das impressas, e de restituir as manuscriptas.»[10]

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«tambem o Arcediago do Barreiro, dr. Jeronymo José Rodrigues examinou no Porto um manuscripto analogo ao das edições de 1559, em que vinham a Menina e Moça, duas eclogas de Bernardim Ribeiro—«e até se acham no fim algumas poesias de Christovam Falcão, do que se faz menção no mesmo logar de Nicoláo Antonio.» (Innocencio, Dicc. Bibliog.

Do artigo «Movimento litterario».

«Nos apontamentos manuscriptos do arcediago de Barroso Jeronymo José Rodrigues, de que já outras vezes me aproveitei n'este volume, encontro ácerca do auctor da Menina e moça o trecho que se segue:

«As obras de Bernaldim Ribeiro (que assim se acha escripto o seu nome no manuscripto que lemos, e assim diz Nicolau Antonio na Bibl. Hispanica, que vulgarmente era chamado) por sua muita raridade são difficeis de encontrar, e duvidamos que se hajam impresso todas. A Bibl. Lus. faz só menção da Menina e moça, ou Saudades de Bernardim Ribeiro. Além das impressões que alli cita, que são tres, faz Nicolau Antonio menção de uma, impressa em Lisboa em 1559, em 8.º, que em tudo tem muita semilhança com o manuscripto, que tivemos alguns tempos em nossa mão, e que vamos aqui extractar. O titulo em nada desmente do que traz a Bibl. Hisp., e até se acham no fim algumas poesias de Christovam Falcão, de que se faz menção n'este mesmo logar de Nicolau Antonio.—O titulo que se lê no manuscripto é: Historia da Menina e moça, por Bernaldim Ribeiro. Principia: «Menina e moça me levaram de casa de minha may para muito longe», e acaba: «Com demasiada ira disse contra a Donzela que ho aly trouxera estas palavras». Consta de historia em prosa, e inclue em alguns lugares poesias de gosto são e pura linguagem, etc. E além da historia, acham-se no manuscripto duas eclogas de que o abbade Barbosa talvez não teve noticia. Na primeira são interlocutores Persio e Fauno; principia: «Nas selvas junto do mar», e consta de trinta e quatro estancias de dez versos cada uma.—Na segunda são interlocutores Jano e Franco, principia: «Dizem que havia um pastor», e acaba: «Tambem tempo é tormento.»