Não é coisa nova e nem fóra de proposito o temerem e fugirem estes selvagens quando veem um homem encolerisado, especialmente um Francez, porque diz o proverbio, cap. 27—Impetum concitati spiritus ferre quis poterit?
Não é menos difficil de crer-se, que, por despeito, apoz calorosa ou inconveniente questão, queimem elles suas casas, porque no Proverbio 26 acha-se sicut carbones ad prunas et ligna ad ignem—assim como o carvão é para o brasieiro, e a lenha para o fogo, assim tambem a questão de palavras é para o homem naturalmente colerico, sic homo iracundus suscitat rixas, e no Ecclesiastico 28, secundum ligna sylvæ, sic ignis exardescit—tal é a quantidade da lenha qual a força do fogo, fallando da colera.
CAPITULO XXVI
Da economia dos selvagens.
Dizia Pitacus ser bem regulada a familia quando n’ella encontram-se duas coisas—falta de superfluidade tanto no que diz respeito á vida como ao governo da casa, e o que é necessario para isto.
Diz Cicero, que perguntando-se a Catão, qual é o melhor governo de uma casa, elle respondera—onde houver comida, vestuario e amor ao trabalho.
Parece-me ser estas sentenças mais applicaveis aos selvagens, e aos que passam vida frugal do que á outra classe de individuos.
São Thomaz definindo a economia concluio dizendo não ser outra coisa mais do que uma boa ordem domestica, e para conseguir-se este fim convinha, que a familia tivesse viveres e tudo o mais necessario a vida, sendo mui essencial não só uma boa intelligencia, como tambem que cuidassem todos os membros d’ella em seos deveres.