N’este ponto os Francezes imitam os selvagens, e por isso estes os estimam.

Os Francezes residentes no Fórte pedem licença para passeiar e refazerem-se de forças.

Quando os selvagens sabem d’isto, vão á caça, e mediante a troca de alguns generos offerecem a estes passeiadores dois ou tres banquetes: findos estes regressam á sua terra, e assim vão continuando ora n’uma aldeia, ora n’outra, girando por toda a Ilha, ou provincia de Tapuitapera e Comã divertindo-se e engordando.

Os Francezes hospedados por seos compadres n’estas aldeias não são muito felizes em seos passeios, porque se ha então alguma coisa boa não é para elles, e sim para os viandantes.

Costumam os selvagens dar o melhor, que possuem aos hospedes, por dois ou tres dias, findos os quaes tratam-nos com o uso commum e trivial.

Admire-se, eu vos peço, ainda que ligeiramente, o grande amor de Deos para com os homens, dando-lhes o sentimento natural da caridade para com o proximo. O que fazem de melhor os christãos, ou observam os Religiosos, do que a caridade puramente natural dos selvagens, que não podem alcançar a gloria, bem differente do que acontece á caridade sobre natural dos christãos, que espera a recompensa da vida eterna?

O aceio do corpo faz-se por muitas maneiras, e entre ellas contam-se estas.

Trazem sempre na bocca a herva do Petun, (tabaco ou fumo) cujo fumo expellem pela bocca e narinas com intenção de seccar as humidades do cerebro e as vezes o engolem para limpar o estomago de cruezas que sahem por meio do arrôto.

Apenas acabam de comer fumam o Petun, e o mesmo praticam pela manhan e a noite, quando se levantam e deitam-se.

A proposito de Petun devo contar a ideia supersticiosa, que formam desta herva e do seo fumo.