Crêem, que esta herva os torna discretos, judiciosos, e eloquentes, de forma que antes de começarem algum discurso usam d’ella: não me parece, que seja comtudo muito supersticiosa, porque ha nisto uma razão natural: eu mesmo a experimentei, e reconheci, que a sua fumaça exclarece o entendimento dissipando os vapores dos orgãos do cerebro, fortalece a voz seccando a humidade e escarros da bocca, permittindo assim facilidade á lingua para bem exercer suas funcções.

É facil experimentar-se isto usando-se d’ella com parcimonia e em occasião propria, porque o abuso continuado d’ella não me parece bom e saudavel aos que se alimentam de bebidas e carnes quentes, porem é util aos que sentem frios e humidos o estomago e o cerebro.

Eis a razão porque o selvagem, habitante d’esta zona humida, e que bebe de ordinario somente agoa, uza constantemente d’este fumo afim de descarregar o cerebro de humidades e frialdade, e o estomago de cruezas, o que tambem praticam os marinheiros e os habitantes das praias.

Pondo-se de infusão por espaço de 24 horas esta herva, presta-se muito para purificar o corpo de infecções. Usa-se somente do vinho.

Crêem tambem que, engolindo o fumo, ficam alegres, joviaes e previnidos contra a tristesa e melancolia.

Vou referir-vos alguns casos que me contaram:

Um selvagem que foi morto na bocca de uma peça, e de quem hei-de fallar no Tratado do Spiritual, antes de se encaminhar para o supplicio pedio um macinho de Petun, como ultima consolação d’esta vida afim de morrer com energia e alegria. Apenas alcançou o que desejava mostrou-se alegre e sempre cantando até o fim.

Quando seos companheiros o ataram á bocca da peça, elle pedio para que não amarrassem o braço direito de fórma que o embaraçasse de levar á bocca o Petun: quando a bala dividio o seo corpo em duas partes, uma foi para o mar, e a outra cahio na base do rochedo, e n’esta achou-se ainda seguro pela mão direita o mólho de Petun.

Os selvagens sentenciados á morte não soffrem a pena sem usarem antes do Petun, conforme o costume da terra, e não deixavam este habito nem mesmo os doentes.

Os feiticeiros do paiz servem-se d’esta planta com proveito, o que agora não refiro, e sim guardo para o fazer mais adiante, si não me esquecer.