Fez este e outros discursos similhantes, e depois percorrendo a Ilha, em cada aldeia os repetia nas reuniões na caza grande.

Procurando imitar a maneira porque entrou na grande praça de São Luiz, não só para saudar os Tabajaras, como tambem para ajudar os francezes, dispoz elle a sua gente, em numero de cem a cento e vinte, um a um, ou um atraz do outro, e assim por diante.

A uns deo cabaças, panellas, e rodela, e a outros espadas e punhaes, a estes arcos e flexas, a aquelles differentes instrumentos, dividindo os tocadores de Maracá[52] pelas desenas, e assim percorreram a habitação dos Tabajaras, e depois foram á praça grande do Forte, onde estavamos, e ahi acabaram suas danças, muito similhantes a dos Pantalons, andando e fazendo mesuras, batendo todos ao mesmo tempo com o pé em terra, ao som da voz e do Maracá, cujo compasso todos observavam entoando sempre louvores aos francezes.

Mechiam em todos os sentidos a cabeça e as mãos, com taes gestos que faziam rir as pedras.

Chamam os Tupinambás a esta dança Porasséu-tapui, quer dizer, dança dos Tapuias, porque era outra a dança dos Tupinambás, sempre em roda e nunca mudando de lugar.

Acabada a dança, veio saudar-nos, e foi comer e descançar na casa, que se lhe havia preparado.


CAPITULO XXXIII

Viagem do capitão Maillar,[53] pela terra firme á casa de um grande feiticeiro. Descripção d’esta terra e das zombarias d’elle.