Achei-me muitas vezes nas mattas, onde elles habitavam e dir-vos-hei, sem precisar o numero, que vi grande quantidade d’elles na fórma ja dita.
Cousa agradavel o mais que se pode imaginar.
Arremeçam-se estes animaes de uma arvore a outra, de um ramo a outro, como faria um passaro bem voador, e o fazem com tal prestesa, que mal se vê.
Si vos descobrem debaixo de alguma arvore, fazem incrivel matinada, e depois de vos fazerem muitas caretas e de dizer-vos mil injurias em sua linguagem, embrenham-se pelos mattos.
Nunca deixam em hora certa,[79] á tarde ou noite, de ir beber agoa, mas sabeis com que subtileza?
Pára o grosso do exercito na distancia de 300 passos da fonte, manda espias para examinar a fonte e suas circumvisinhanças, espreitam si nada ha que os assuste, examinam com cuidado si ha embuscada de algum inimigo, e apenas o descobrem gritam com voz forte e correm a reunir-se ao exercito.
Voltam depois de algum tempo e praticam o mesmo.
No caso de segurança gritam e ganem para vir o exercito, e chegado este ainda usa de outra velhacaria.
Bebem todos um a um: á medida, que um bebe, passa alem e trepa n’uma arvore, e assim até o ultimo: assim bebem, passam para outro lado, por onde não vieram e ahi acabam a fieira.