Apenas salta o francez é logo rodeiado por elles: homens e mulheres mostram-se prasenteiros, presenteam-nos com viveres, convidam-nos para compadre, offerecem-se para levar-lhes sua bagagem, em fim fazem o que podem para contental-os e agradal-os.
Não tem inveja por estar um francez em casa de outro: o que primeiro se apresenta é que leva o hospede, sem a menor questão, e nem por isso se insultam.
Fazem mais ainda: quando um francez muda de compadre, não questionam por isto, despresam-no, e tem-no por homem mau, e assim raciocinam.
«Si não poude viver com aquelle, como viverá commigo?»
Si o selvagem é genioso, avarento e preguiçoso, quando o francez o deixa não se zangam os outros, antes dizem «É bem feito ser elle despresado, é um homem difficil de ser aturado, avarento e preguiçoso.»
Escolhendo o francez um compadre, segue-o e vae para a aldeia,[89] e então o hospede com certa gravidade, como si nunca o houvesse visto, lhe estende a mão e lhe diz: «Ereiup Chetuassap?» «Chegaste meu compadre,»[90] coisa digna de vêr-se e de contemplar-se.
Direis ao vel-os, que sahem á maneira dos imperadores de um gabinete bem fechado, onde estavam empenhados em grandes negocios.
Si querem fazer grande acolhimento a um francez e lhe mostrar que muito o estimam, antes que o pae de familia lhe diga Ereiup, as mulheres e as filhas o lamentam e depois dam-lhe bons dias.
Responde-lhe o francez Pá, «sim?» resposta que quer dizer «sim de todo o coração: eu te escolhi para morar comtigo, e para ser meo compadre, e do numero de tua familia: te dei a preferencia porque te estimo e por me pareceres bom homem.»