Diz-lhe o selvagem—Auge-y-po «muito bem, estou muito contente, honras-me muito, sêde bem vindo e aqui serás tão bem acolhido como em parte alguma.»

Por isto reconhecereis a candura e a simplicidade da naturesa, que consiste em poucas palavras e muitas obras. O contrario acontece á corrupção, pois inventa muitos discursos, muitas palavras adocicadas, cortejo sobre cortejo muitas vezes só com o chapéo, e não com o coração.

D’estas duas recepções qual será a melhor e a mais consentanea com a lei de Deos, e com a simplicidade do christianismo?

Após aquellas palavras, elle vos diz—Marapé derere? «Como te chamas? qual é o teu nome? como queres que te chamemos? que nome queres que se te dê?»

Convem notar, que si não escolherdes um nome pelo qual sereis conhecido em toda a parte, elles vos darão um escolhido entre as coisas naturaes, existentes no seo paiz, e o mais apropriado á vossa physionomia, genio, ou maneira de viver, que por ventura descobrirem em vossa pessoa.

Por exemplo, entre os francezes, um foi chamado beiço de sargo, porque tinha o beiço inferior puchado para diante como os peixes chamados sargos.

Tiveram outros o apellido de garganta grande porque nada o fartava, de sapo-boi,[91] por estar sempre entumecido, de cão pirento pela sua cor má, de piriquito porque levava só a fallar, de lança grande por ser alto e esguio, e assim por diante, e ordinariamente fazem estas coisas em suas casas grandes, e por esta fórma pouco mais ou menos. «Que nome se ha de dar a teo compadre?»

—Não sei, é preciso estudar.

Indica cada um a sua opinião, e o nome que encontra mais apropriado, e si é bem recebido pela assembléa lhe é imposto com seo consentimento, si é homem de posição: si é do vulgo, queira ou não queira, ha de ter o nome, que lhe der a assembléa.

Tem tambem outra maneira de impôr nomes: quando elles vos estimam, e vos dam muito apreço, elles vos dam o seo proprio nome.