Julgando-se mais proximo da morte do que da vida, inspirado por Deos, pedio o baptismo.
Fomos visital-o e cathequisal-o pedindo-lhe sua opinião a respeito de todos os pontos e artigos, que lhe propuzemos.
Com as mãos postas nos disse que acreditava no que lhe diziamos.
Demorando-nos nos artigos relativos á crença da Santissima Trindade, da Incarnação, Morte, e Paixão do Filho de Deos, do Baptismo, e do Mysterio da Santa Eucharistia, por que estava proximo da morte, procuramos fazer-lhe entender estas materias tão altas e profundas por comparações familiares, a que prestou muita attenção, e dezejando com todo o fervor o baptismo nós lhe promettemos, que no cazo de ficar bom elle receberia as ceremonias do baptismo na capella de S. Luiz, e aprenderia com gosto a doutrina christan, que ensinavamos aos catecumenos antes de baptisal-os.
Respondeo-nos, que não era tão longe a Capella de Sam Luiz, que não podesse ser levado até lá afim de, antes de morrer, ser baptisado, consolação que muito desejava afim de ir direito para o Ceo.
Vendo este fervor e devoção ficamos satisfeitos e concordamos ser elle carregado n’uma rede até a igreja de Sam Luiz, e ahi baptisado com toda a solemnidade.
Alguns dias depois morreo tranquillamente.
N’esse mesmo tempo cahio doente uma mulher Tabajare, e tão gravemente, que todos julgavam-na em breve morta: fomos vel-a e lhe offerecemos o baptismo que aceitou de muito boa vontade, e com muita attenção escutava o que diziamos, por intermedio dos interpretes, a respeito das glorias do Paraizo, das penas do inferno, do que ella devia crer, antes de receber o baptismo no caso de Deos lhe dar saude, e que podesse aprender a religião christan, e então na igreja receberia as ceremonias do baptismo, no que concordou e foi baptisada: recobrando sua saude, julgou do seu dever cumprir sua palavra, embaraçando-a porem o facto de ser mulher de um Tabajare, que tinha mais duas, não podendo ella continuar a viver com elle casada segundo as leis do christianismo.
Removemos este obstaculo seguindo o conselho de Sam Paulo: si qua mulier fidelis habet virum infidelem et hic consentit habitare cum illa, non dimitat virum etc quod si infidelis discedit, discedat: «si alguma mulher fiel estiver casada com um homem infiel, e que este queira morar com ella, ella que não o deixe, si o homem infiel a deixar, ella o deixe tambem.»
Em virtude d’isto fizemos saber a seo marido, que se quizesse ter por unica esta mulher christan, deixando as outras, que ella não o abandonaria, mas que si quizesse viver como d’antes na qualidade de concubina, que nós e os grandes dos francezes lhe afiançavamos, que elle seria despresado como incompativel com o christianismo.