Preparam todos os seos filhos para nos trazerem afim de serem por nós instruidos, e ja nos prometteram não mais comer carne humana. São muito bonachãos, e não maliciosos. Por unica religião apenas creem em Deos, que chamam Tupan, e na immortalidade da alma.

Quanto ao paiz é terra fertil e muito boa, onde não ha frio, e sim estio constante; ninguem conhece o que é frio, e as arvores estão sempre verdes.

Os dias e as noites são sempre do mesmo tamanho: nasce o sol as 6 horas da manhã e encerra-se as 6 da tarde.

Estamos apenas a dois graos e meio da linha equinoccial ou do Equador.

É voz geral haver n’este paiz muitas riquezas, como sejam minas de oiro, de pedras preciosas, de perolas, de ambar-gris, alem de muitas pimenteiras, muito algodão, muita herva da rainha, ou petum, e muito assucar.

Brevemente, quando nos estabelecermos bem, nós vos asseguramos ser isto aqui um pequeno paraiso terreste, com todas as commodidades e alegrias.

Não posso ir mais longe: fica o resto para quando fôr o Sr. de Rasilly, e então hei-de dizer-vos outras coisas em particular.

Quanto a minha saude nunca passei tão bem como agora, graças a Deos e só bebendo agoa, (palavras do padre Claudio.)

Si na França me fosse preciso fazer a millesima parte do que aqui faço, mil vezes teria morrido, e n’isto reconheço, que non in solo pane vivit homo, «o homem não vive só de pão.»