Na historia da França antarctica por André Thevet, á proposito da madeira de tincturaria, lê-se o seguinte: «o da costa do rio de Ianaire é melhor que o da costa de Canibaes e de toda a costa do Maranhão,» (pag. 116 verso), e mais adiante: «visto que chegamos a estes Canibaes, d’elles diremos apenas, que este povo, depois do cabo de Santo Agostinho, e alem até o Maranhão, é o mais cruel e deshumano que em qualquer outra parte da America. Esta canalha come ordinariamente carne humana, como nós comemos carneiro.» (pag. 119.)
[25] (pag. 31.)
Foi com effeito nas margens do Itapecurú, que se apresentaram os portuguezes.
Claudio d’Abbeville disse algumas palavras sobre este bello rio, porem exagerou o seo curso.
Nós estamos tão pouco ao facto da geographia d’esse paiz, que Adriano Balbi se contentou em mencionar seo nome apenas no quadro, que traçou, dos rios do Maranhão.
Que prodigiosas mudanças não se terão operado sobre suas margens desde o tempo, em que o nosso bom frade assim o chamava alterando-lhe o nome!
Em lugar d’estas florestas, onde andavam errantes os Timbyras, cultiva-se milho, mandióca, canna de assucar, fumo e algodão, e a producção ultima d’este genero foi tão abundante, que subio a 35,000 saccas.
Em França não se conhece o nome das cidades mais importantes, assentadas á margem d’este rio, e apenas se encontram em nossos livros de geographia.
Quem já ouvio fallar da pequena cidade de Caxias, a risonha patria de Gonçalves Dias? Comtudo é uma cidade rica, commercial, banhada pelo Itapecurú, e distante da capital sessenta legoas.