Mui visivelmente falla-se aqui da lenda brasileira relativa a Sumé, o legislador dos Tupys.

No curioso opusculo, que a respeito d’este personagem publicou o Sr. Adolpho de Varnhagem, conta a sua chegada á Ilha do Maranhão, e como desappareceo na occasião, em que se preparavam todos para sacrifical-o.

A palavra—Maratá—nos põe em embaraços, pois debalde a procuramos em Ruiz de Montoya: é alteração da palavra Mair ou Maïr, tantas vezes empregada por Lery e Thevèt, para mostrar ou indicar um estrangeiro, ou uma pessoa extraordinaria. Não podemos dar uma resposta satisfatoria. O Sumé, que propaga a cultura da mandióca, é barbado.

Diz-se com razão ser personagem analoga a Manco Capac dos peruanos, e ao Quetzalcoalt dos Azetecas, e ao Zamma da America Central. (Vide Adolpho de Varnhagem, Historia geral do Brasil. T. 1º pag. 136, e Sumé. Lenda mytho-religiosa americana etc. agora traduzida por um Paulista de Sorocaba. Madrid, 1855, broch. in 8 de 39 pag.)

[93] (pag. 205).

O verbo cantar na linguagem tupy é Nheengar. Um Nheengaçara é um cantor propriamente dito.

[94] (pag. 220).

Parecerá estranho ao leitor serem os francezes comparados n’este lugar aos Caraibas.

Os que lerem com attenção as obras de Humboldt acharão a chave d’este enigma. Os Caraibas do continente americano, nação immensa, eram notaveis em toda a America pelo seo valor e penetração. Seos piayas, ou antes seos feiticeiros os elevavam acima de todas as outras nações: eram no Novo Mundo o mesmo que os Chaldeos no velho. Simão de Vasconcellos nos dá a prova d’esta supremacia intellectual: no sul do Brasil os Caraibe-bébé, eram feiticeiros ou advinhadores notaveis: assim se chamavam os homens intelligentes, os espiritos, e os anjos, e depois tambem os estrangeiros. O Sr. Adolpho de Varnhagem fez notar, que o nome de Carayba foi em seo principio dado aos Europeos, sendo todos os Christãos assim chamados. (Historia geral, pag. 312.)