O mytho de Tamandaré, que se lê na descripção do diluvio americano, é contado extensamente por Vasconcellos nas suas Noticias do Brazil, pag. 47 e 48.
Ahi se lerá como o Noé americano subindo ao cume de uma palmeira, que tocava com o seo vertice o Ceo, e agarrando d’ahi sua Familia poude salval-a, e com ella repovoou a terra.
Na phrase aqui citada, Ivo d’Evreux alludio ao legislador mais moderno, Sumé, este Triptolémio brazileiro, que ensinou a cultura da mandióca aos descendentes de Tamandaré.
Simão de Vasconcellos diz mui positivamente, que «havia entre elles tradicção muito antiga, transmittida de paes a filhos, dizendo haverem apparecido, muitos seculos depois do diluvio, homens brancos n’estas terras, que fallavam aos povos de um só Deos e de outra vida. Um d’elles chamava-se Sumé, que parece quer dizer Thomé.»
Preferindo a tradicção, que dá a São Bartholameu a honra de haver evangelisado os povos longiquos, provou com isto o Padre Ivo o seo conhecimento das origens.
Com effeito, segundo diz Eusebio, chegou este Apostolo viajante até a extremidade das Indias, São Pantene percorreo o interior da Asia desde o III seculo, e ahi já achou vestigios do christianismo, que bem se podiam attribuir ás prédicas de Sam Bartholameo.
Prevaleceo comtudo no Brasil a legenda em contrario, como a outra na India. (Vide Jornada do Arcebispo de Goa dom Frei Aleixo de Menezes, quando foi ás serras de Malauare, lugares em que moram os antiguos christãos de S. Thomé. Coimbra, 1606, in fol.)
No tempo de Vasconcellos bem visiveis eram os signaes dos pés de S. Thomé, ao norte do porto de S. Vicente, perto da Villa.
Estes signaes de dois pes nùs por maravilha impressos na rocha (tão vivos e expressos, como si em um mesmo tempo juntamente se fizeram) não eram vistos debaixo d’agoa.