Em 1630 compôz uma obra aproveitavel sobre as tribus que visitou. Infelizmente nunca foi publicada, e o seria se fosse encontrada, como precioso commentario á obra do padre Ivo.
Cansado por seos trabalhos, cuja multiplicidade espanta até a imaginação, foi para a Bahia, onde revestido das dignidades da ordem falleceo com cheiro de santidade em 24 de fevereiro de 1650.
Afirma-se haver elle predicto muitos annos antes os grandes acontecimentos politicos, que, produzindo a expulsão da Hespanha, dava independencia ao Brasil.
Parece que vio-se obrigado a reconstruir em 1625 os edificios que deixaram em começo os nossos Religiosos, e por isso foi elle em Sam Luiz julgado como o primeiro fundador do Convento da sua Ordem.
Vamos ainda dizer uma palavra para acabar estas notas. Serão ellas ainda um dia completadas pelo trabalho, que ha de preceder a Relação do Padre Claudio d’Abbeville, e si se quizer, o podem ser ja, consultando se varias obras francezas contemporaneas, absolutamente despresadas, sob este ponto de vista, pelos historiadores da America. N’este caso, entre outros, está o padre Pedro du Jarric, pois, na verdade, ninguem pensaria achar n’uma Historia das Indias orientaes todos os factos religiosos, acontecidos em Maranhão antes de 1607.
Consultando-se o 5.º volume d’esta volumosa obra, encontra-se a tragica historia dos padres Francisco Pinto e Luiz Figueira, jesuitas portuguezes, os primeiros que visitaram os desertos desconhecidos, cujo littoral occuparam os francezes.
Francisco Pyrard, o viajante Belga, residente na pequena cidade de Laval, nos contou tambem na sua Relação das Indias e especialmente das Ilhas Maldivas, o que na Europa se pensava do Brasil no tempo, em que viveo o padre Ivo. Não trata do Maranhão, e bem o podia fazer.
Deve ainda dizer-se que esta bella provincia, conhecida mais pela obra de Mr. Herald do que por outras antigas, ficou por muito tempo fóra da toda a vida politica.
Doada a principio aos filhos de José de Barros, o famoso historiador das Indias, só foi conhecida na Europa por uma lastimavel catastrophe, pois era esquecida apesar da fertilidade e da magnificencia da sua vegetação.
Apparece comtudo n’um dos monumentos geographicos mais importantes, onde se verificou o que era o Brasil no seculo XVI: queremos fallar da bella Carta de Gaspar Viegas, que tem a data de outubro de 1534, hoje na Bibliotheca Imperial de Paris.