Augmentou-se ainda mais esta devoção quando se edificou no Forte a Capella de São Luiz,[4] á imitação das Igrejas dos nossos Conventos, com madeira, cercada e cuberta de ramos fortes, cortados das arvores chamadas Acaiukantin.

Ahi celebrei missas, cantei vesperas, préguei e baptisei os cathecumenos.

A tarde tocava o sino, todos se reuniam n’esta capella, onde se cantava a saudação angelica, implorava-se a graça divina, e depois cada um ia para onde queria.


CAPITULO II

Do estado do poder temporal em sua primitiva.

Compõe-se o homem de espirito e corpo; devendo zelar em primeiro lugar aquelle como mais nobre e depois este; pareceu-nos de muita razão cuidar a principio nas Capellas para n’ellas abastecer o espirito com a palavra de Deos, e do SS. Sacramento, e depois no que diz respeito áo temporal.

Assim como uma terra, ainda inculta não dá grande contentamento á seu dono, e si elle não tivesse pão, que lhe viesse d’algures, por certo que morreria de fome, assim tambem era sem commodidades o lugar escolhido para a edificação da fortaleza de São Luiz, n’uma ponta de rocha, habitada outr’ora por selvagens, que a cultivaram a seu modo, ou para melhor dizer a esterilisaram, visto que depois de tres annos faltaram-lhe forças para produzir couza alguma, alem de matto agreste, sendo necessario descançar por muitos annos.

Foi a causa dos nossos soffrimentos no principio, pois apenas tinhamos farinha de mandioca para fazer mingau, isto é, uma especie de papa com sal, agua e pimenta, chamada pelos indios Yonker, e assim passavamos a vida.

Quem não podia comer esta farinha secca, desmanchava-a n’agoa, e assim alimentava-se com ella.