Não espero muito d’estas velhas: e o superior nada tem a fazer senão esperar que a morte o livre d’ellas: quando morrem não são muito choradas e nem lamentadas, porque os selvagens gostam muito de ter mulheres moças.

Os selvagens creem supersticiosamente terem as mulheres, depois de mortas, muita difficuldade de deparar com o lugar onde, alem das montanhas, dançam seos ante-passados, e que muitas ficam pelos caminhos, se é que lá chegam.

Não guardam asseio algum quando atingem a idade da decrepitude, e entre os velhos e velhas nota-se a differença de serem os velhos veneraveis e apresentarem gravidade e autoridade, e as velhas encolhidas e enrugadas como pergaminho exposto ao fogo: com tudo isto são respeitadas por seos maridos e filhos, especialmente pelas moças e meninas.


CAPITULO XXIII

Da consaguinidade entre os selvagens.

Como entre nós, a consaguinidade entre estes barbaros tem muitos graus e ramos, e se observa entre todas as familias com tanto cuidado como fazemos, excepto porem a castimonia, que tem alguns embaraços entre elles, menos no primeiro grau—de pae para filha.

Entre os irmãos e irmans não ha casamentos, mas duvido, e não sem razão, da regularidade da vida d’elles, e nem isto merece ser escripto.

Bróta o primeiro ramo do tronco de seos avós, que elles chamam Tamoin,[41] e debaixo desta denominação comprehendem todos os seos ante-passados desde Nóe até o ultimo dos seos avós, e admira como se lembram e contam de avô em avô, seos ante-passados, o que difficilmente fazemos na Europa podendo remontar-nos, sem esquecer-nos, até o tataravô.