§ 66. Por este methodo, só com os exemplos, que se vem nas Taboas, se formaõ cento e vinte Cores, capazes de se empregarem como Cores locaes, e suceptiveis de trez graos de força, isto he, de escuro, meya tinta, e claro, o que faz trezentas, e sessenta meyas tintas diversas. E para formar muitas outras, se procederá da mesma sorte, ordenando Taboas á imitaçaõ das que se presentaõ; tomando por antecedentes cinco, ou seis Cores especificas, isto he, das de que se compoem as [Tab. A], [B], [C], [D], o que produsirá huma infinita variedade de Cores, que todas se compoem das duas primitivas Vermelho, e Verde; e das quatro, que destas immediatamente se derivaõ, i. e. Azul, Amarelo, Negro, e Branco[25].
§ 67. Tal he a Synthesis artificial das Cores, que tanto desanima os Dilectantes, e que por tantos annos embaraça os Artistas; a qual por este methodo se comprehende, e se executa em poucas horas. Passemos a Terceira Parte.
TRATADO DAS CORES.
PARTE TERCEIRA,
E ESTA HERMENEUTICA.
Esta Terceira parte comprehende, em hum breve Vocabulario, a explicação das Cores mais conhecidas; indicando, ao mesmo tempo, a similhança, que algumas dellas tem com as Cores das Taboas A, B, C, D, de sorte que, para formar a idea de algumas destas Cores, e para as compor todas, naõ he necessaria outra cousa, que procurar no Vocabulario o nome dessa Cor; e a hi mesmo se acharaõ citadas as Taboas, que prehencheraõ estes dous fins.
§ 69. Querendo-se saber, por exemplo, qual he a Cor de purpura, e como se compoem, procure-se no Vocabulario a palavra purpura, onde se achará citada a [Taboa A]. IIII. 1. das quaes a primeira mostrará a Cor, e a segunda ensinará o modo de a compor. E as Cores, que naõ se acharem nas Taboas [A], [B], [C], [D], se indicaráõ somente os seus elementos, para que se possaõ compor com a mesma facilidade.
§ 70. Para se entenderem as explicaçoens do [Vocabulario], convirá muito ter presentes as prenoçoens seguintes.