Escholio.
59. A Evidencia deste Principio, se mostra da observaçaõ ([n. 33.]). As velas do moinho de vento, de que ali se trata, estando horisontaes, pareciaõ duas largas faixas, unidas ao comprido, huma verde na parte superior; e outra vermelha, na inferior. E como estas duas Cores conservaõ sempre a mesma posiçaõ, sobre a linha horisontal, deviaõ necessariamente unir-se, à o passar pela perpendicular. He pois nesta passagem, e uniaõ, que se formava sempre a especie de nuvem ou sombra mui escura, como fica refferido. Aquela machina estava situada na linha visual ao ponto, em que o Sol se punha; as suas velas moviaõ-se em hum plano perpendicular à esta linha, e consequentemente eu as observava da parte da sombra, e de hum ponto diametralmente opposto à aquelle, donde partia a Luz, ellas eraõ, quadrilateras, e teriaõ 20 pés de comprido, sobre cinco, ou seis de largo; eraõ da mesma lona de que se fazem as velas dos navios; e me ficavaõ na distancia de 250 passos geometricos. Exponho todas estas circunstancias, porque em observaçoens deste genero, a direcção da Luz; a sua força; a grandeza, a figura, a materia dos objectos e a distancia em que se observa, influem muito nos resultados. As observaçoens feitas sobre as nuvens em movimento, daõ este mesmo resultado; e as experiencias ([§ 16.] [17.]), feitas sobre as Cores materiaes, convem inteiramente com as da Luz colorida.
NONO PRINCIPIO.
60. O branco he huma Cor positiva, e nasce da extrema divisaõ das duas Cores primitivas, Vermelho, e Verde.
Escholio.
61. As experiencias ([n. 40.] [41.]) mostraõ a evidencia deste Principio. O Sol, visto pelo Prisma, parece hum circulo de Luz mui viva; mas sem Cor alguma: por que a Cor se acha dividida em huma grande massa de Luz, e por isso he invisivel. O mesmo succede na experiencia ([n. 40.]), em que o rayo de Luz, depois de passar pelo Prisma, se recebe no cartaõ branco, ao pé do tubo, que o introduz na camara escura: e como, nesta distancia, a Luz se acha ainda mui intensa, e cahe sobre huma superficie branca, que tambem augmenta a sua massa, pela mesma razaõ da experiencia. ([n. 41.]) naõ deixa ver cor alguma. O mesmo succede com as Cores materiaes; como se prova pela [Taboa XIIII]. n. 43. e ainda mais palpavelmente, mixturando sobre o porphyro, hum graõ de Anil, com duas libras de Alvaiade, dividindo-o o Branco de tal sorte, que nelle senaõ destingue a minima sombra de Azul.
62. Digo que o Branco, e o Negro, saõ Cores positivas, ([n. 58.] [60.]) porque o contrario repugna à todas as leys da physica. Nós recebemos indubitavelmente a idea dos objectos externos, pelo orgaõ sensoreo da vista, mediante o reflexo da Luz, a qual, cahindo sobre, os mesmos objectos, se reflecte à os nossos olhos, trasendo-nos comsigo à sua imagem ([n. 15.]). Ora, se a Cor negra naõ fosse que huma privaçaõ da Luz, seguir-se-hia, que naõ poderiamos receber a idea, nem de huma columna de marmore negro, nem de qual quer outro corpo da mesma Cor: mas a experiencia mostra, que estando em justa posiçaõ duas ou mais columnas, huma de marmore negro, e as outras de marmore branco, vermelho &c. recebemos taõ clara a idea de humas, como das outras; logo o negro he huma Cor taõ positiva, como qual quer das outras, a que senaõ disputa esta qualidade; e assim naõ póde consistir na privaçaõ da Luz.
63. Alem disto, huma taboa de marmore negro, bem polida, reflecte a Luz taõ exactamente, que nella vemos as imagens dos objectos, como em hum espelho. Ora, isto naõ póde acontecer, segundo as leys da Catoptrica, senaõ nos corpos, que reflectem fielmente os rayos da Luz; logo he imphilosophico o dizer, que a Cor negra consiste na absorbencia dos rayos da luz; quando os Corpos desta Cor os reflectem igualmente, que os coloridos de Branco, Vermelho &c. De mais he provado ([§ 22.] [n. 23.]), que a Cor negra se forma da mixtura do Vermelho, e Verde; ora, se a Cor de Purpura, que se forma de Vermelho, e Azul, he huma Cor positiva; da mesma sorte o deve ser a Cor negra, que se forma pór huma similhante combinação. Hum igual raciocinio prova, que o Branco he tambem huma Cor positiva.
64. O confundir estas duas Cores, huma com a Luz, a outra com a sombra, deu lugar ás ideas commumente recebidas. He preciso, differençar a Luz, da Cor branca, e a sombra, da Cor negra. A Luz faz visiveis os objectos, com as suas qualidades; e a escuridade, produz hum effeito opposto, isto he, de naõ deixar ver cousa alguma; mas a Luz, e a obscuridade, saõ tanto a Cor branca, e negra, como a azul, e verde. Ora, nimguem diria, que estas ultimas duas Cores equivalem á Luz, ou a escuridade; da mesma sorte senaõ póde dizer isto, das duas primitivas Negro, e Branco; sabendo-se de outra sorte, o mechanismo da sua formação, pelas experiencias ([§ 16.] [17.] [19.] [22.] [n. 33.])
65. Taes saõ os Principios, que resultaõ das observaçoens, feitas sobre as experiencias Prismaticas: os quaes se achaõ inteiramente conformes, com os que resultaõ das observaçoens feitas sobre as experiencias dos Corpos coloridos ([§ 20.] [21.] [24.] [28.] [30.] [37.] [40.] [43.] [48.]); e que tem ainda em seu favor, as analogias da Natureza ([§ 26.] [29.]).