—Deus vos recompense o bem que fiseste.
Dispôz-se então a contar-lhe o infante o que se passara.
A narração foi simples e curta. Poupou todas as côres da fantasia e do romantismo. Não se lhe ouviu sequer uma accusação contra os sicarios nem contra a pessoa que lhes commettera a empresa.
O pagem depois tomou a palavra n'estes rapidos termos:
—Dom Luiz é denodado em demasia. Se lhe presaes a vida, minha senhora, deveis aconselhar-lhe que não a exponha tanto. Inimigos poderosos lhe sobejam...
—Talvez que só Deus o possa defender! exclamou Dona Violante.
—Deus, acrescenta o Prior do Crato, Deus e a minha espada e os meus amigos tambem. Que ha traidores no mundo sei-o eu; mas que se guardem, que se guardem bem os traidores![{31}]
—Guardam, guardam... Não vêdes como apenas mostram elles o braço e o punhal?
A esta allusão da formosa dama logo vaticinou o pagem:
—Decerto não falta um vilão que a troco de alguns ducados assassine o principe Dom Luiz!