—O taverneiro é generoso, é generoso! conclamou a maioria dos fregueses.

Preparavam-se todos para sair quando se lhes dirige ainda o taverneiro:

—Mas para onde vades assim, papalvos?

—Nós te diremos depois para onde vamos, retrucou o ex-carcereiro. Quem fôr peco e desanimoso que fique para ahi como um perro. Pela nossa banda queremos só gente de animo decidido e braço alentado.

—Bofé que ninguem dirá que o taverneiro da Bitesga foi algum dia peco! Mas ouvi rosnar por ahi que era preciso combater e brigar. Se a coisa é séria, unicamente facas e punhaes são armas de pouca monta.[{135}]

—Fallas com a prudencia de Dom Vasco da Gama, apoiou o indio. Mas não temos horas a perder e, na falta de outras armaduras, todas as que se encontram á mão nos parecem de boa tempera.

—Serão. Mas devem concordar que as ha bem melhores de tempera e de alcance. Uma espada alcança mais longe do que um punhal e os pelouros de um bacamarte vão mais longe ainda...

—É certo. Mas onde ha por ahi perto algum arsenal?

—Um fiel vassallo de sua altesa serenissima deve estar sempre bem apercebido e armado. Esperem um bocado, esperem que eu venho já.

Subiu o taverneiro ao primeiro andar da escura baiuca e momentos depois se apresentou no meio dos seus fregueses com um braçado respeitavel de bacamartes e de pistolas e machados, ascunhas e espadas. Para complemento da collecção de armaduras de que falla o cantor dos Lusiadas faltavam ainda[{136}]