—Votos, pedimos votos! regougam a um tempo dous divergentes cavalheiros.
Entretanto uma das travessas damas atreve-se a introdusir os ageis dedos no bolso do collete de Pedro Caminha e logo com expansivo contentamento desembrulha uma pequenina folha de papel amarrotado.
—Eureka! exclamou ella com enthusiasmo.
—Leia lá, senhora Dona Francisca.
—Eu leio, eu leio!
Pegou Pedro Caminha no precioso autographo[[17]] e com entono magestatico se dispoz a recitar:
Muitas veses meus versos me pediste
Que t'os mostrasse e nunca te mostrei;
Em não pedir-te os teus, se bem sentiste,
Entenderias porque t'os neguei:
Da paga me temi; se a não tivera
Muitas veses meus versos já te lera.
Subito rubor purpurea as faces de Souto Mayor. Julga que elle mesmo fôra o alvo do[{152}] epigramma e vai certamente dar o troco em egual moeda quando o auctor do Olyssipo requer explicações.
—Diga-nos vossa mercê, acodiu Jorge Ferreira, que allusões cavillosas são essas as do seu epigramma, senhor Caminha?
Caminha virou nas mãos a folha de papel e em voz mais elevada continua de ler: