Resolvera abandonal-o para sempre e já caminhava ao longo do corredor quando um magro personagem de semblante pallido como o de um cadaver e de vestes negras á semelhança de um fantasma o obriga a parar improvisamente.

Em repasto da sua vingança, não se recusara Simão Rodrigues a ensanguentar o seu punhal traiçoeiro. Elle em carne e osso, com o punhal escondido na manga da roupeta, aguardava o pagem na penumbra solitaria do corredor.

O pagem cahiu, com effeito, ao borbulhar do seio um jorro de sangue. Não acodiria braço que o protegesse nem medicina que o salvasse.[{179}] Crisparam-se-lhe os dedos, arroxearam-se-lhe os beiços, empallideceram-lhe as faces e entregou a Deus o derradeiro alento da sua juvenil existencia depois de articular esta crudelissima ironia:

—É assim... que se vingam... os filhos de... Ignacio de... Loyola!

FIM.

INDICE

[Algumas palavras] [5]
I [Ciumes de um rei] [11]
II [Os reis não costumam perdoar as offensas recebidas] [23]
III [Recompensa do crime] [35]
IV [O festim de Balthasar] [53]
V [Orações e jejuns redimem todas as culpas] [65]
VI [A caçada] [75]
VII [A luta] [85]
VIII [Os estaus] [95]
IX [O carcereiro] [105]
X [Vantagem de dous contra um] [115]
XI [A taverna] [123]
XII [Referta de tigres e leões] [139]
XIII [O leito da dor] [145]
XIV [Effeitos do veneno] [155]
XV [O perdão] [165]
XVI [A vingança] [175]

PORTO—IMPRENSA PORTUGUEZA