—Cale-se, cale-se, dizia ella, baixo, e como vencida.

—Não; devo dizer-lh'o: esta palavra «amisade» é falsa. D'aqui a duas horas talvez, estamos perdidos. Ao pé da morte a sinceridade é uma justiça. Digo-lh'o. Amo-a. Não se erga. O vento levará comsigo esta confissão. Amo-a. Se estamos culpados depois d'estas palavras, o mar é um bom tumulo e o mar lava tudo. Amo-a…

—Não diga isso. É um engano; é apenas sympathia. Demais o amor a que nos levaria? ou ao despreso ou á tortura…

Eu ouvia mal. Elles fallavam baixo. A tormenta chegava. O navio gemia lamentavelmente. As cordagens, que o vento quebrava de repente, assobiavam como cobras. Os marinheiros corriam. Sentiam-se a voz do commando, os martellos, os trabalhos na machina. Uma vaga entrou, alagou o convez.

De repente senti um movimento dentro da tenda: a condessa ergueu-se; a sua voz era alta e vibrante:

—Captain Rytmel, pensa em sua honra que vamos morrer?

—Penso, condessa.

—Pois bem, quero dizer-lh'o então: amo-o!

E depois de um momento:

—Oh! amo-o, repetiu ella com uma explosão de paixão. Já que tenho a certeza de que morro pura, quero morrer sincera. Adoro-o.