—Fui encontral-o banhado em sangue.
Ella olhou-me desvairadamente um momento, e de repente, arremessando-se sobre o sophá, abraçou-se ao crucifixo e com grandes lagrimas, com um delirio de soluços:
—Ah, meu Deus, perdoae-me! Perdoae-me, Jesus! Perdoae-me! Fui eu que o matei! Estou doida de certo. Pobre Rytmel! Rytmel da minha alma! Não o torno a vêr, não lhe torno a fallar! Acabou-se para sempre!… Jesus, o que eu sinto na cabeça!… Em Calcuttá adorou-me, aquelle homem. Ajoelhava aos meus pés, eu queria morrer por elle. Diga-me,escute: enterraram-n'o? Está muito ferido? Eu não o feri no rosto? não, isso não! Vá depressa. Vá buscar a policia!… Mas porque me não prendem? Ah meu pobre Rytmel! eu morro, eu morro, eu morro! D'aqui a pouco começam a tocar os sinos!..
Ergueu-se com gestos de louca, foi ao espelho, compoz o cabello com ar desvairado, e de repente voltou a abraçar, apaixonadamente, o crucifixo negro.
—Escute, disse-lhe eu. Rytmel não morreu.
—Não morreu? gritou ella.
De repente, arrojou-se aos meus braços que a ampararam, tomou-me a cabeça entre as mãos, e fitando-me com uma grande angustia:
—Dize-me: não morreu? Está salvo?
—Está, disse eu.
—Juras?