A confissão de Carmen foi longa. Quando terminou quiz fallar-me.
—Adeus! disse-me ella, vou morrer.
Disse-lhe que não, quiz dar-lhe esperanças ephemeras.
—Não, não, respondeu ella, nada de enganos. Tenho coragem. Quem a não tem para ser feliz? Chame lord Grenley.
Começou então diante de nós a fallar da sua vida. Disse-nos qual fôra a sua mocidade, os desvarios do seu coração, a exigencia das suas paixões, e fallou-nos da sua ligação com Rytmel, com elevação, como de um sentimento quasi legitimo. Não teve uma queixa, uma saudade, um desdem. As ultimas palavras da sua vida eram dignas. Depois tirou um rozario do seio.
—Veiu de Jerusalem, disse-me, dê-lh'o a ella.
Eu tinha os olhos humedecidos, Carmen, entretanto, empallidecia terrivelmente.
—Levem-me para cima, quero vêr o mar, quero vêr a luz.
Era uma manhã nebulosa e triste. O mar estava mais sereno. Collocámos Carmen cuidadosamente sobre almofadas e mantas, voltada para Malta. Lá tinha ficado a sua vida. Esteve muito tempo calada, com as mãos cruzadas.
—Que terra é aquella? perguntou mostrando com a mão tremula, uma linha escura no horisonte.