Todos responderam:

Amen!

O vento gemia. Lord Grenley adiantou-se e disse em voz alta:

—N'este dia, a bordo do Romantic, navio inglez, morreu Carmen Puebla, de nação hispanhola, e para eterna protecção do seu corpo, como sendo sepultada em territorio britannico, foi amortalhada na bandeira ingleza. In pace.

Amen! responderam os marinheiros.

—Em nome do Padre, disse o capellão, do Filho e do Espirito, santa seja a sepultura a que ella é deitada, e que fique como em terra sagrada n'estas aguas do mar!

Amen! murmuraram os marinheiros.

—Ao mar! disse lord Grenley com voz forte.

Os dois marinheiros suspenderam o cadaver sobre o mar; todos se approximaram, fazendo circulo com os archotes; o cadaver, arremessado, mergulhou com um som lugubre, desappareceu, e a espuma das vagas correu-lhe por cima.

Os archotes foram apagados n'um triste silencio. O navio affastava-se. Eu, encostado á amurada, tinha os olhos fitos no ponto vago onde o corpo desapparecera. Ella alli ficava morta. Encheu-me o peito uma longa saudade. Lembrava-me d'ella, dançando no convez do Ceylão, rindo á mesa de Clarence-Hotel. Tudo tinha acabado. Nunca mais! nunca mais! Alli ficava com uma bala aos pés!