—Betty, disse-lhe eu n'uma voz sumida, sabes? Tenho medo de morrer doida…
Ella olhou-me, e viu no meu rosto uma tal expressão d'angustia, que me disse:
—Que tem, meu Deus, que tem? Chore, minha rica menina, chore…
—Não posso, não posso. Eu morro… Vem para o pé de mim, Betty!…
—Meu Deus, quer-se deitar? diga…
E erguendo os olhos e as mãos, n'uma imploração cheia de dôr, de desespero:
—Deus me leve para si! Ai! nada d'isto era se a mamã fosse viva, minha senhora!
Começou a chorar. Eu olhei-a com uma grande afflicção, senti os olhos humidos, os soluços suffocaram-me, e arremessando-me aos seus braços, chorei, chorei, chorei amargamente, chorei cruelmente, chorei pela saudade, chorei pela traição, chorei pelo meu passado legitimo, chorei pelo encanto dos meus peccados, chorei por me sentir chorar…
IX
Soceguei. Vencida, fiquei n'uma chaise longue, muda e como morta. Olhava machinalmente o tremer da luz.