—Por motivos que devo occultar, continuou o homem, sabia que este sujeito, que é extrangeiro, que não tem relações em Lisboa, que chegou ha poucas semanas, vinha a esta casa…
—É verdade, atalhou o mascarado.
—Que se encontrava aqui com alguem…
—É verdade, disse o mascarado.
Eu, pasmado, olhava para ambos, sentia a lucidez das idéas perturbada, via apparecer uma nova causa imprevista, temerosa e inexplicavel.
—Além d'isso, continuou o homem desconhecido, ha de saber tambem que um grande segredo occupava a vida d'este infeliz…
—É verdade, é verdade, dizia o mascarado absorto.
—Pois bem, hontem uma pessoa, que casualmente não podia sair de casa, pediu-me que viesse ver se o encontrava…
Nós esperavamos, petrificados, o fim daquellas confissões.
—Encontrei-o morto ao chegar aqui. Na mão tinha este papel.