De repente o meu cavallo estacou.
—O tigre! o tigre! gritaram os malaios.
Os cavallos da frente recuaram; os cipaios entraram nas fileiras da caravana. Os cães latiam, os malaios soltavam gritos guturaes, e o elephante estendia a tromba, silencioso. De repente, houve como uma pausa solemne e triste, e um vento muito quente passou nas folhagens.
Estavamos defronte de uma clareira coberta de um sol faiscante. Do outro lado havia um bosque de tamarindos: era ali decerto que a fera dormia. Voltei-me para D. Nicazio: vi-o pallido e inquieto.
—D. Nicazio! dê o primeiro tiro, o signal d'alarma!
D. Nicazio picou rapidamente o cavallo para mim, murmurou com uma voz suffocada:
—Quero subir para o elephante. Carmen não deve estar só; póde haver perigo…
Fallei aos malaios, que desdobraram a estreita escada de bambu, por onde se sobe ao dorso dos elephantes. O Carnak dormia encruzado no vasto pescoço do animal. D. Nicazio subiu com avidez, arremeçou-se para dentro do palanquim, e de lá, pela fenda das cortinas, espreitava com o olho faiscante e medroso.
Mas estão foi Carmen que não quiz ficar dentro do palanquim, pediu, gritou, queria montar a cavallo, sentir o cheiro á fera.
—Tirem-me d'aqui, tirem-me d'aqui! Não fiz esta jornada toda para ficar dentro d'uma gaiola…