D'assombrado o snr. Lino perdeu a garfada de arroz. E, depois de ter ruminado mudamente a sua emoção, confessou que lhe interessavam muito todos esses lugares santos porque tinha religião, graças a Deus! E tinha um emprego, graças tambem a Deus, na Camara Patriarchal…

—Ah, na Camara Patriarchal! acudi eu. Sim, muito respeitavel… Eu conheci muito um Patriarcha… Conheci muito o snr. Patriarcha de Jerusalem. Cavalheiro muito santo, muito catita… Até nos ficamos tratando de tu!

O snr. Lino offereceu-me da sua agua de Vidago—e conversámos das terras da Escriptura.

—Que tal Jerusalem, como lojas?…

—Como lojas?… Lojas de modas?

—Não, não! atalhou o snr. Lino. Quero dizer lojas de santidade, de reliquiarias, de coisinhas divinas…

—Sim… Menos mau. Ha o Damiani na Via Dolorosa que tem tudo, até ossos de Martyres… Mas o melhor é cada um esquadrinhar, escavar… Eu n'essas coisas trouxe maravilhas!

Uma chamma de singular cubiça avivou as pupillas amarelladas do snr.
Lino, da Camara Patriarchal. E de repente, com uma decisão d'inspirado:

—Andrésinho, a pinguinha de Porto… Hoje é brodio!

Quando o gallego pousou a garrafa, com a sua data traçada á mão n'um velho rotulo de papel almasso—o snr. Lino offertou-me um calice cheio.