—Refastela-se em Alexandria. Tem lá tudo. Tem o bilhar, tem a tipoia, tem a batota, tem a mulherinha… Tudo do bom. É lá que você se refastela!
No emtanto, já no Montanha e na tabacaria do Brito se fallava da minha santa empresa. Uma manhã, li, escarlate d'orgulho, no Jornal das Novidades estas linhas honorificas: «Parte brevemente a visitar Jerusalem, e todos os sacros lugares em que padeceu por nós o Redemptor, o nosso amigo Theodorico Raposo, sobrinho da exc.^{ma} D. Patrocinio das Neves, opulenla proprietaria, e modelo de virtudes christãs. Boa viagem!» A titi, desvanecida, guardou o jornal no oratorio, debaixo da peanha de S. José: e eu jubilei, por imaginar o despeito da Adelia (leitora fiel do Jornal) ao vêr-me assim abalar desprendido d'ella, atestado d'ouro, para essas terras musulmanas—onde a cada passo se topa um serralho, mudo e cheirando a rosa entre sycomoros…
A vespera da partida, na sala dos damascos, teve elevação e solemnidade.
O Justino contemplava-me—como se contempla uma figura historica.
—O nosso Theodorico… Que viagem!… O que se vai fallar n'isto!
E padre Pinheiro murmurava com unção:
—Foi uma inspiração do Senhor! E que bem que lhe ha de fazer á saude!
Depois mostrei o meu capacete de cortiça. Todos o admiraram. O nosso Casimiro, todavia, depois de coçar pensativamente o queixo, observou que me daria talvez mais seriedade um chapéo alto…
A titi acudiu, afflicta:
—É o que eu lhe disse! Acho de pouca ceremonia, para a cidade em que morreu Nosso Senhor…
—Ó titi, mas já lhe expliquei! Isto é só para o deserto!… Em Jerusalem, está claro, e em todos aquelles santos lugares, ando de chapéo alto…