Macário voltou-se com uma esperança.

—Dê-me daí a caixa do rapé—disse o tio Francisco.

Tinha-lhe esquecido a caixa! Portanto, estava perturbado.

—Tio Francisco...—começou Macário.

—Basta. Estamos a 12. Receberá o seu mês por inteiro. Vá.

As antigas educações produziam estas situações insensatas. Era brutal e idiota. Macário afirmou-me que era assim.

Nessa tarde Macário achava-se no quarto de uma hospedaria na Praça da Figueira com seis peças, o seu baú de roupa branca e a sua paixão. No entanto estava tranqùilo. Sentia o seu destino cheio de apuros. Tinha relações e amizades no comércio. Era conhecido vantajosamente: a nitidez do seu trabalho, a sua honra tradicional, o nome da família, o{26} seu tacto comercial, o seu belo cursivo inglês, abriam-lhe, de par em par, respeitosamente, todas as portas dos escritórios. No outro dia foi procurar alegremente o negociante Faleiro, antiga relação comercial da sua casa.

—De muito boa vontade, meu amigo—disse-me êle.—Quem mo déra cá! Mas, se o recebo, fico de mal com seu tio, meu vélho amigo de vinte anos. Êle declarou-mo categóricamente. Bem vê. Fôrça maior. Eu sinto, mas...

E todos, a quem Macário se dirigiu, confiado em relações sólidas, receavam ficar de mal com o seu tio, vélho amigo de vinte anos.

E todos sentiam, mas...