—¿Quem não admirará os progressos dêste século?
Debalde Jacinto, pálido, com os dedos trémulos, torturava o aparelho. A exclamação recomeçava, rolava, oracular e majestosa:
—¿Quem não admirará os progressos dêste século?
Enervados, retiramos para uma sala distante, pesadamente revestida de panos de Arraz. Em vão! A voz de Pinto Pôrto lá estava, entre os panos de Arraz, implacável e rotunda:
—¿Quem não admirará os progressos dêste século?
Furiosos, enterramos uma almofada na bôca do fonógrafo, atiramos por cima mantas, cobertores espessos, para sufocar a voz abominável. Em vão! sob a mordaça, sob as grossas lãs, a voz rouquejava, surda mas oracular:
—¿Quem não admirará os progressos dêste século?
As amáveis Gouveias tinham abalado, apertando desesperadamente os chales sôbre a cabeça. Mesmo à cozinha, onde nos refugiamos, a voz descia, engasgada e gosmosa:
—¿Quem não admirará os progressos dêste século?{87}
Fugimos espavoridos para a rua.