O criado volveu, convencido e digno:

—Droga muito mediocre... Extremamente mediocre!

O meu amigo tremia já, n'um positivo terror. Mas ainda balbuciou:

—Que hei-de eu então beber?

—Beba agua, ou beba chá... Ainda que o chá, que agora temos, é realmente detestavel.

Então o meu amigo repelliu violentamente guardanapo e talher, galgou as escadas do seu quarto, reafivelou as correias da sua maleta, saltou para uma tipoia e fugiu.

Porque? Nem elle sabia. Tudo quanto me poude explicar é que, perante tanta sinceridade, perante tanta veracidade, elle sentiu em torno de si, n'aquelle hotel, alguma cousa de anormal, de extravagante, de perigoso. E o acto do meu amigo, dado o nosso secular habito da mentira, da ficção, da convenção—é bem humano.


XVI. O «SALON».

O mez de maio, em Pariz, é dedicado á Esthetica.