Taes fôram os combates do snr. Paulo, discipulo de Proudhon.
Os conflictos de honra que têm este final de vaudeville são, por fim, os mais acceitaveis.
Ha-de haver sempre duellos. É evidente que, emquanto os jornaes publicarem em lettra gorda e glorificadora as actas do desafio: emquanto os olhos das mulheres sorrirem ao ferido interessante que atravessa a sala pallido e de braço ao peito, ou ao espadachim feliz que retorce o bigode; emquanto na rua burguezes pararem pasmados, murmurando ao ouvido da familia: Lá vae elle! Foi aquelle que se bateu! nem o codigo, nem o bom senso, nem melifluas maximas humanitarias impedirão jámais que o homem, publicamente ridicularisado ou publicamente injuriado, salte sobre a sua espada gritando á turba: «Cá vou defender a minha honra!»
Haverá sempre quem consinta em esvaír-se em sangue—tendo em redor as acclamações d'um circo.
No mais grave dos homens ha uma fibra de histrião.
O que convém, pois, á sociedade e que, n'estes conflictos impostos pela exigencia da vaidade e pelo despotismo do prejuizo, o sangue derramado se limite ás tres ou quatro gottas que um lenço de cambraia estanca.
No fim, a moralidade dos duellos está toda n'um dito de Rochefort.
—Tem sido feliz em seus desafios?—perguntava-lhe alguem.
—Felicissimo. Tenho-me batido vinte e tantas vezes e volto sempre com a consciencia serena e uma ferida séria...
Não se póde realmente vir almoçar com a «consciencia serena», quando se deixou um homem a agonisar n'uma pôça de sangue; mas é triste tambem que para se poder gosar, com a alma tranquilla, a omellette do almoço, se deva voltar do campo de ventre rasgado ou com a clavicula em pedaços.