Uma risada sonora, pesada, tomou o povo: os soldados apertavam as costellas; os sacerdotes, junto ás portas da ara, riam nas suas longas barbas, fazendo oscillar as pesadas mitras cravejadas. Entretanto, os phariseus iam entre os homens, contentes de riso, dizendo:
—Esse Rabbi de Galilea quer que seja perdoada; é um homem impuro, que despreza a lei.
Alguns queriam levar o Mestre perante o sanhedrin.
Mas na multidão havia uma oscillação: sentiam-se gritos, risadas joviaes, vozes; o povo afastava-se: e d'entre a sua escura espessura vinha empurrado, repellido, atirado, um homem.
E vozes alegres bradavam:
—Ahi vae Jesus Bar'Abbas, ahi vae!
O homem, esfarrapado, absorto, assustado, veio estacar, olhando, n'essa aspera inquitação, como um boi espantado, junto de Jesus.
Era Bar'Abbas.
Viu a mulher soluçando, caida sobre as largas lages.
E olhava, com os olhos vibrantes, voltava-se, recuava, e tomando, com ambas as mãos, violentamente, uma ponta da tunica, estendeu-a para a multidão, gritando: