N'estas viagens ideaes os Deuses teem uma companheira que intimamente estabelece a sua communicação com os homens,—a Arte.

Da historia visionaria d'esta,—na longa peregrinação divina,—a Symphonia de abertura, faz-nos ouvir,—adagio ou vivace, piano ou forte,—alguns trechos maravilhosamente instrumentados:...

«Quando» os povos—na Chaldea, no Egypto, na Grecia,—«plantavam tendas debaixo das estrellas», ... e, mais tarde, em céos de profundo mysticismo christão, nas regiões transcendentes «onde as proprias estrellas são» apenas, «gotas de sombra...»[27]

Entreveem-se, fluctuando em imagens, as differentes Artes:

A Architectura «que se abriu em transparencias e transfigurações, como se quizesse ser, no espaço, a morada suspensa do espirito».

A Musica emfim «liberta dos contornos, dos coloridos, e das gravidades, dissipando-se nos amollecimentos divinos...»

«...no terror da natureza, onde o diabo era visivel... a alma allemã tinha toda a sorte de penumbras, de desfalecimentos, de pallidos silencios que se exhalavam divinamente no canto...»

Esvae-se «aquella melopea grega esfarrapada pela aspereza do latim dos versiculos...»

«Apparece Luthero», a alma allemã... que desfalecia n'aquellas melancolias immensas que Alberto Dürer revelou...»

Mas «a Musica, que é a alma, o espiritualismo, o vapor da Arte, sumiu-se com a approximação da Renascença que vinha cheia das rebeliões da carne...»