NOTAS MARGINAES
...... d'este lado do rio
...... o namorado,
E a moça dos olhos pretos
...... do outro lado.
Mas o rio era profundo,
Não se podiam juntar.
Nunca o sol encontra a lua.
Tal andava aquelle par.
............. flores
..... á agua iam dar;
........ os beijos
Ficavam todos no ar.
A moça ...............
Disse adeus ao namorado;
E foi ................
...... bandas do povoado.
Elle ficou amarello,
Como a vela d'um altar.
Mas se o rio ..........
Não se podiam juntar.
Anoiteceu..............
Por alli andou penando:
E por fim lançou-se ao rio,
E o rio ...............
.........................
.........................
Mas as flores foram prender-se
Nas suas mãos côr de cera.
Na margem do papel marcado, onde se viam ainda estes restos d'uma velha cantiga, alguem escreveu estas notas desordenadas e extranhas:
I
Ó dôce cantiga dos namorados da beira do rio, tu és uma verdade sempre nova! Ainda hoje o triste anda penando nas aguas escuras; e os teus olhos, ó serena rapariga, são eternamente falsos!
Não era assim que eu pensava no tempo d'aquelles nossos amores, ó nome que eu não escrevo! d'aquelles amores tão dôces como a suavidade das nossas noites d'outomno—tão coloridos e vagos como aquellas nuvens, que sempre no ar andavamos formando e desmanchando!
II
Ó voluptuosidade! tu és a imagem do Oceano nos teus caprichos. Agora embalas-te, dôcemente doirada com os ultimos raios do sol: depois dormes tranquilla, aos calores silenciosos: por fim agitas-te, cheia de tempestades.
III
E, quando eu te via, não via mais as flôres, nem as pombas, nem as estrellas: mas, quando pensava em ti, via-te delicada como todas as flores, voluptuosa como todas as pombas, luminosa como todas as estrellas.