IV
Ás vezes, solitario e silencioso, via passar na sombra, diante de mim, como uma legião d'inspirações rhapsodicas, os teus olhos humidos, como violetas debaixo d'agua—depois os teus braços da côr do marmore—depois os teus cabellos negros e fluctuantes... Em fim, sobre um fundo maravilhoso, tu apparecias superiormente serena, perfeita e luminosa!
V
De cada um dos teus desejos nascia uma flôr.
E os meus suspiros, como a aragem serena da tarde, embalavam dôcemente aquellas flôres marginaes.
E as flôres cresciam, cresciam até se tornarem magnolias grandes; o vento tomava-as preguiçosamente pela haste; e ellas, inclinando os seus rostos pallidos, contavam-lhe os perfumes de mais segredo.
E as magnolias iam crescendo até se tornarem n'uma arvore immensa. Então o vento enroscava-se no tronco, insinuava-se nos ramos, e fazia palpitar as folhas sonoras.
E então a arvore estremecia, como n'um sonho agitado; depois adormecia—e dava em redor uma sombra serena e consoladora.
VI
Quando te vejo, despertam no meu pobre coração as melodias e as dôces melancolias d'amor, como na primavera se reanimam as aves e desabrocham as violetas.