IX

Oh! minha bem amada! eu já vi os teus olhos brilharem dolorosamente, como duas estrellas negras de melancolia: tinhas tu então rasgado um veu côr de papoula, que te cobria.

X

Tu estavas na egreja, curvada e perdida nas tuas orações, como uma fidalga hespanhola.

Tinhas um olhar velado e piedoso, um olhar que só dizia—Jesus!

Mas nos labios tinhas um colorido avelludado e luminoso, como o das flores vermelhas mettidas na agua; e na linha de sombra dos teus labios corria um sorriso, que só dizia—amor!

Talvez um dia ainda te encontre na egreja. Sómente, então, os teus labios estarão descorados como a fadiga e timidos como o arrependimento. Sómente, então, os teus olhos estarão fixos como os dos esfomeados, e terão aquella luz desejosa e ávida, que têm as estrellas.

XI

Foi debaixo das arvores. Voavam as pombas brancas. Morriam aromas de violetas. Os castanheiros, grandes e concentrados, ouviam subir a seiva.

Foi lá que me disseste aquellas palavras, que me pareceram uma blasphemia que te vinha do coração. Eu fiquei hirto e nullo, como um sacerdote esbofeteado pelo seu Deus!