Escrevia melancolicamente ás monjas dos conventos da Allemanha.
Feminæ in illius amore delectantur, diz tragicamente o abbade Cesar de Helenbach. No seculo XII tentava com olhares cheios de sol as mães melodramaticas dos Burgraves. Na Escossia havia grande miseria sobre os montes: o Diabo comprava por 15 schellings o amor das mulheres dos highlanders, e pagava-lhes com o dinheiro falso que fabricava em companhia de Philippe I, de Luiz VI, de Luiz VII, de Philippe o Bello, do rei João, de Luiz XI, de Henrique II, com o mesmo cobre de que se faziam as caldeiras onde eram cosidos vivos os moedeiros falsos.
Mas eu quero só contar a historia de um amor infeliz do Diabo, nas terras do norte.
Oh mulheres! vós todas que tendes dentro do peito o mal que nada cura, nem os simples, nem os balsamos, nem os orvalhos, nem as resas, nem o pranto, nem o sol, nem a morte, vinde ouvir esta historia florida!
Era na Allemanha, onde nasce a flôr do absyntho.
A casa era de pau, bordada, rendilhada, cinzelada, como a sobrepelliz do senhor arcebispo d'Ulm.
Maria, clara e loura, fiava na varanda, cheia de vasos, de trepadeiras, de ramagens, de pombas e de sol. No fundo da varanda havia um Christo de marfim. As plantas limpavam piedosamente, com as suas mãos de folhas, o sangue das chagas; as pombas, com o calor do seu collo, aqueciam os pés doloridos. No fundo da casa, o pae d'ella, o velho, bebia a cerveja de Heidelberg, os vinhos de Italia, e as cidras da Dinamarca. Era vaidoso, gordo, somnolento e mau.
E sempre a rapariga fiava. Preso á roca por um fio branco, sempre o fuso saltava; preso ao seu coração por uma tristeza, sempre pulava um desejo.
E todo o dia fiava.