Ora debaixo da varanda passava um lindo moço, delicado, melodioso e timido. Vinha e encostava-se ao pilar fronteiro.

Ella, sentada junto do crucifixo, cobria os pés de Jesus com os seus grandes cabellos louros.

As plantas, as folhagens, em cima, cobriam de frescura e de sombra a cabeça da imagem. Parecia que toda a alma de Christo alli estava—consolando, em cima, sob fórma de planta, amando, em baixo, sob fórma de mulher.

Elle, o branco moço, era o peregrino d'aquella santa. E o seu olhar procurava sempre o coração da doce rapariga, e o seu olhar d'ella, séria e branca, ia procurar a alma do caro bem amado.

Os olhos investigavam as almas. E vinham radiosos, como mensageiros de luz, contar o que tinham visto. Era um encanto!

—Se tu soubesses!—dizia um olhar.—A alma d'ella é immaculada.

—Se tu visses!—dizia o outro.—O coração d'elle é sereno, forte e vermelho.

—É consolador, aquelle peito onde ha estrellas!...

—É purificador, aquelle seio onde ha bençãos!

E olhavam ambos, silenciosos, extaticos, perfeitos. E a cidade vivia, as arvores rosnavam sob o balcão dos eleitores, a trompa de caça soava nas torres, os cantos dos peregrinos nas estradas, os santos liam nos seus nichos, os diabos escarneciam na grimpa das egrejas, as amendoeiras tinham flôr, e o Rheno cantigas de ceifeiras.