A lenda relativamente a este vegetal é uma lenda allemã.
O diabo apaixonando-se por uma formosa princesa, esposa de um grande rei do paiz do Sol, roubou-a, encerrando-a em reconditos jardins situados entre altas montanhas.
Como a princesa chorasse constantemente por se vêr só, o diabo deu-lhe uma vara magica e disse-lhe que quando quizesse companhia tocasse com ella um rabanete que elle logo se animaria transformando-se em uma mulher. Porém as companheiras que a princesa obtinha d'esta fórma só viviam emquanto os rabanetes tinham succo. Logo que seccavam as donzellas morriam.
A princeza desejando enganar o diabo pediu-lhe para que lhe désse uma vara magica com a qual podésse transformar os rabanetes nos animaes que quisesse. O espirito das trévas imaginando que d'esta fórma obteria as boas graças da princeza accedeu gostoso. Esta, obtida a vara magica, transformou um rabanete em abelha que mandou como mensageira ao esposo. A abelha não voltou e ella transformou outro rabanete em grillo que faz seguir o mesmo caminho. Como o grillo não regressasse tocou um terceiro rabanete que transformou em cegonha e esta traz-lhe o esposo. N'isto o diabo, desconfiando que estava sendo ludibriado foi contar os rabanetes mas, emquanto se entretinha com este serviço, a princesa transformou um rabanete, que já tinha escondido de prevenção, em fogoso cavallo e, montado n'elle, juntamente com o esposo, fugiu para sempre do poder do diabo.
[TABACO.]
Esta planta foi, como é sabido, introduzida na Europa pelos portuguezes n'essa bella epocha em que audaciosos e fortes dictavam leis ao mundo submisso e absorto ante as suas façanhas sobrehumanas.
Recebida ao principio com estima, provocou em breve o tabaco, intensa e crúa guerra.
Para uns era a herva santa, o remedio certo e seguro de todas as doenças, para outros a herva do diabo, a herva maldita, a origem de todos os males.
A egreja lançou-lhe excommunhão, os monarchas açoutaram-a com os seus odios, e leis severissimas prohibiram o uso do tabaco. Pois apesar de tudo elle foi-se espalhando de tal fórma, que por todo o mundo é raro agora o homem que o não usa cheirando-o, fumando-o ou mascando-o. O tabaco hoje é quasi um alimento, e o producto querido dos principaes governos civilisados que d'elle extrahem as suas melhores e mais seguras receitas.
Medicos e hygienistas notaveis téem-se ultimamente esforçado em mostrar os inconvenientes do uso e abuso do tabaco, o quanto elle concorre para o enfraquecimento das gerações, mas tudo isso são palavras ao vento; todos reconhecem o mal mas ninguem tem forças de o cortar pela raiz.