O vicio alastra cada vez mais, do homem vae passando para a mulher e d'esta para a creança. É uma praga universal.
Espalhado como está, ferindo a imaginação de todos os povos, não podia deixar de ter o tabaco muitas e variadas lendas; a mais antiga e a mais curiosa é a dos Tchumaches.
Este povo, que sempre seguira a lei de Deus, foi uma vez tentado por uma mulher idolatra que, com os seus propositos libertinos, esteve quasi a fazer naufragar a proverbial castidade dos Tchumaches. Deus ao vêr em perigo os homens que estimava ordenou-lhes, para se lavarem da culpa, que matassem a seductora, e a enterrassem em seguida no centro de um escuro bosque.
O marido d'esta mulher, industriado pelo diabo, que não podia vêr com bons olhos a virtude dos Tchumaches, plantou-lhe sobre a sepultura uma vara que aquelle lhe deu, vara que com o tempo se transformou n'um bello arbusto de largas e formosas folhas. Os Tchumaches passando mais tarde por alli viram o idolatra cortar ao arbusto as folhas seccas, encher com ellas um cachimbo, pegar-lhe fogo e sorver depois com avidez o aromatico fumo que ellas desenvolviam.
Admirados com o facto, imitaram o manejo do idolatra, e sentiram tal prazer com o fumo do tabaco, que nunca mais cessaram de fumar, perdendo, assim as boas graças de Deus, e cahindo sob o dominio do diabo, pois a planta não era mais que uma nova incarnação de Satanaz o qual assignala a sua passagem por qualquer logar com fumo intenso e um cheiro nauseante, embriagador, egual ao do tabaco.
[MILHO.]
As espigas dos cereaes foram sempre o simbolo da abundancia, e a do milho, pela côr dourada da semente era mais particularmente o simbolo da riquesa.
Na Africa, entre os selvagens, a espiga do milho representa a propriedade do sólo.
Conta o Dr. Schweinfurth, n'um dos seus livros de viagens, que na Africa, as tribus depois da respectiva declaração de guerra, collocam no extremo dos seus dominios, em local bem exposto, de modo a poder facilmente ser visto por todos, uma espiga de milho, uma mólhada de pennas d'ave e uma flecha, o que quer significar que quem cortar uma espiga de milho ou agarrar uma ave, será morto por uma flecha.
Na Calabria ha a seguinte e graciosissima lenda relativa ao milho, que seguindo Gubernatis não é mais do que uma variante, sob fórma moderna, do antigo conto mytologico de Midas que mudava em oiro todo o trigo que tocava.