Uma mãe tinha sete filhas, seis muito diligentes e cuidadosas e a setima preguiçosa em extremo. Eram todas tecedeiras, mas a mais nova, formosa entre as formosas, passava o tempo a tratar da sua pessoa e a confeccionar bellos vestidos em vez de cuidar das suas obrigações caseiras.

Um domingo as irmãs mais velhas foram á missa e deixaram a coser sob a vigilancia da mais nova sete pães de milho. Como se demorassem a mais nova foi comendo um a um os pães, de modo que quando as irmãs regressaram da egreja não restava nenhum.

As irmãs faltando-lhe o almoço fizeram tal barulho que teve de intervir para as apasiguar um dos mais ricos mercadores da cidade que n'aquelle momento passava por acaso na rua.

As irmãs fallando todas ao mesmo tempo dizem-lhe que a mais nova comia por sete, mas o homem comprehendendo que o barulho era motivado por inveja das outras irmãs e que a rapariga fiava por sete, tratou logo de se casar com ella.

Realisado o casamento o negociante partiu para longa viagem deixando á mulher, como tarefa, um grande quarto cheio de linho para fiar.

Estava prestes o regresso do negociante e a mulher ainda não tinha fiado nada. Por mais que quizesse não o podia fazer, e as irmãs jubilosas riam e troçavam-a, contentes por calcularem que o marido logo que chegasse não deixaria de lhe castigar severamente a preguiça.

A pobre rapariga chorava, chorava, pretendendo debalde fiar o linho mesmo com lagrimas, mas nada, nada obtinha.

Um dia que estava á janella a lastimar a sua sorte passaram umas boas fadas que, compadecendo-se da infeliz, lhe disseram que ao fiar, em logar de passar os dedos pelos labios, os passasse por farinha de milho.

A fiandeira assim fez, e d'ahi por deante, com grande jubilo, não só podia fiar quanto queria mas tambem o fio, ao contacto da farinha de milho, transformava-se logo em rico fio de puro oiro.

[CANNAS.]