[FIGUEIRA DA INDIA.]

A figueira da India (Ficus religiosa) é venerada na India principalmente pelos sectarios de Buddha, não a cortando nem lhe tocando nunca com ferro, para não offender o Deus n'ella occulto.

Não só a arvore é adorada mas tambem o local onde alguma viveu é considerado local sagrado. A veneração dos indios pelo ficus religiosa, é devida á seguinte lenda:

Buddha, apóz a conversão, ia sempre orar sob aquelle vegetal; a rainha, sua esposa, despeitada por aquelle facto, mandou cortar a arvore, e Buddha, quando o soube, sentiu tamanho desgosto que declarou que se a arvore não tornasse a rebentar morreria de pesar. Mandou depois reunir cem bilhas de leite e regar com elle o tronco do vegetal, donde logo brotaram ramos, que cresceram rapidamente, attingindo a altura que hoje téem.

[MAIAS.]

No numero 4, vol. VI, outubro de 1889 da Revista de Guimarães, o dr. Abilio de Magalhães Brandão descreve-nos assim a poetica lenda das maias:

«Houve antigamente um rei chamado Herodes que ao saber que tinha nascido, em Belem, um menino, a que o povo, por toda a parte, chamava o rei dos Judeus, tão furioso ficou que ordenou immediatamente aos seus soldados que degolassem todas as creanças menores de dous annos, que encontrassem em Belem.

Herodes presumia que o rei dos Judeus não escaparia d'esta carnificina,—tal era o odio de morte que votava ao menino—que os prophetas tinham vaticinado rei de Israel. Ao anoutecer do dia 30 de abril, cercaram os judeus os muros de Belem, mas esperaram pela madrugada do dia 1.º de maio para começarem a dar cumprimento ás ordens do malvado rei. Apesar de todas as providencias e cautelas, ainda receiavam os judeus que lhes escapasse o menino e por isso se informaram logo da sua morada—que tinha á porta um ramo de maias como signal,—mas, ao romper do sol do 1.º de maio, todas as casas appareceram milagrosamente com os mesmos ramos á porta.

Os judeus ficaram tão furiosos que entraram logo em todas as casas e degolaram todos os meninos, como tinha ordenado Herodes, e só escapou o que procuravam, porque seus paes, José e Maria, tinham fugido com elle, ainda de noute, para o Egypto.

Um judeu, que viu passar a mãe do menino, a cavallo n'uma jumentinha, ainda lhe perguntou o que levava nos braços, envolto no manto com que se cobria, ao que ella respondeo: «Levo meu filho!» mas o judeu retorquiu: «Se o levasses não o dirias». E d'este modo, e pelo milagre das maias, salvou-se milagrosamente o rei dos judeus».

[ABOBORA.]

Os povos orientaes consideram a abobora como o imperador dos vegetaes; é tambem para elles o emblema da saude pelo seu bello e rotundo aspecto e da fecundidade pelo numero extraordinario de sementes que possue.

A abobora tem dado origem a muitas lendas, e d'entre aquellas de que temos conhecimento, aproveitamos as duas mais curiosas e principaes, de que as restantes não são mais que incorrectas variantes.