Houve tempo em que os lobos não eram carnivoros, mas sim se sustentavam de fructos. Um dia uma porca, procurando alimento, encontrou uma enorme abobora e fazendo-lhe um pequeno orificio, começou a comer-lhe o interior. N'isto vê ao longe um corpulento lobo, e cheia de susto, pois aquelle animal andava em guerra aberta com ella, e sempre que a encontrava, não deixava de a mimosear com uma dentada, escondeu-se dentro da abobora. O lobo encontrando tão bello manjar dispoz-se a devoral-o sem mais cerimonia, mas a porca que estava escondida dentro, cheia de susto, fez desenvolver com os excrementos que expelliu um tão insupportavel fetido, que o lobo, julgando a abobora pôdre, fugiu a toda a pressa e tão nauseado ficou que desde então não mais quiz os vegetaes começando a regalar-se com a carne dos animais que podia caçar.
A segunda lenda—lenda americana—explica assim o diluvio.
Jaià um homem muito poderoso e forte tinha um filho unico que lhe morreu de repente. O pae, querendo dar-lhe uma sepultura differente da de todos os outros humanos, metteu-o dentro de uma enormissima abobora que foi depor no cimo de elevado monte. Dias depois, cheio de saudades pelo filho estremecido, quiz contemplal-o mais uma vez e partiu para o local onde depozera a abobora, mas ao tocar-lhe saíram-lhe de dentro enorme quantidade de peixes e diversos monstros marinhos. Jaià fugiu aterrado e veio narrar o caso para a sua aldeia. Quatro irmãos gemeos quizeram verificar o facto, e quando estavam a procurar mover a colossal abobora a fim de lhe examinar o conteúdo, chegou Jaià tão furioso pela violação a que ia ser sujeito o tumulo do filho que os quatro rapazes, aterrados, deixaram rolar a abobora pelo monte abaixo, e esta, batendo de encontro ás pedras que encontrou no caminho, fendeu-se sahindo-lhe do interior tal quantidade d'agua que toda a terra ficou inundada.
[ARROZ.]
É o arroz symbolo da vida, da geração e da abundancia, representando por isso nas ceremonias nupciaes da India um grande e importante papel. Lá lançam o arroz sobre a cabeça dos nubentes, como entre nós se deitam flores e confeitos; é um prato de arroz o primeiro alimento que os esposos comem juntos, e é com arroz humedecido em manteiga e lançado ao fogo que, finda a ceremonia nupcial, impetram a protecção dos deuses para que os façam felizes e lhes dêem muitos e muitos filhos.
Logo que uma creança nasce, collocam-a em cima de um sacco cheio de arroz para a livrar dos maus olhados, e nenhum indiano tóca no arroz sem antes ter feito as suas abluções.
Para todos os sectarios de Buhdha é elle planta sagrada, destinada ás offerendas á divindade, e a ser servida nos banquetes religiosos e nas ceremonias funerarias.
A sementeira do arroz é feita na India com grande ceremonial religioso, com musicas e bençãos dos brahmanes.
Na China, por occasião das sementeiras, os padres fazem sacrificios ao fogo para que permitta que o anno seja fertil. Para isso andam com resas á volta de uma fogueira, tendo nas mãos um vaso cheio de arroz e sal de que lançam de tempos a tempos um punhado ao fogo. Aqui o fogo symbolisa o sol, que com o seu excessivo calor póde prejudicar inteiramente a producção do arroz que só se dá bem com um excesso de humidade, e é por isso que lhe imploram a sua protecção, o beneficio de uma menor intensidade dos seus raios seccadores.
Para os arabes tambem o arroz é sagrado. Crêem que elle nasceu de uma gotta de suor de Mahomet e que o Kuskussú, o querido manjar nacional fabricado com arroz, foi revelado a Mahomet por o anjo Gabriel. Mahomet, sempre que partia para a guerra ou tinha relações com qualquer mulher, comia antes um pouco de Kuskussú.