Na Belgica, no dia de S. Miguel, as donzellas casadoiras abrem cuidadosamente algumas nozes, tiram-lhe o conteudo o collam depois as duas cascas vazias com todo o cuidado, de modo a parecerem intactas, e deitam n'um sacco um numero egual de nozes vazias e nozes cheias. Misturam-as bem, e depois, fechando os olhos, mettem a mão no sacco e tiram uma noz. Se acertam tirar uma cheia é signal de que casarão dentro de um anno, mas se acontece vir uma das vazias, então ainda téem que esperar muito pelo anciado marido...
Entre nós, especialmente no Porto, ha uns leves vestigios d'esta tradição. No dia de S. Miguel é costume, na cidade invicta, comer-se nozes com trigo, o que, dizem, dá a felicidade e a abundancia em casa. E á gente nova, á gente solteira, temos nós ouvido repetidas vezes dizer que «no dia de S. Miguel, nozes com regueifa sabe a casar»...
No sul de França creem que o meio infallivel de conhecer um feiticeiro é collocar-lhe uma noz debaixo da cadeira quando elle estiver sentado, pois não se poderá mais erguer do logar onde estiver emquanto não retirarem a noz. É d'aqui que os camponezes de Bolonha penduram uma noz ao pescoço dos filhos para os livrar de maus olhados. Tem para elles a noz o mesmo valor da nossa figa.
Para os judeus a arvore do bem e do mal era uma nogueira, e o fructo que Deus prohibira a Adão que comesse, uma noz.
[CLEMATIS INTEGRIFOLIA.]
Gubernatis conta-nos assim esta formosa lenda:
«Um dos nomes populares que na Russia se dá a esta planta é Tziganca (planta dos Bohemios) ou Zabii kruéa ou Sinii lomonos. A proposito d'este vegetal dizem, n'aquelle paiz, que outr'ora, quando os cossacos andavam em guerra com os tartaros, os primeiros, n'um combate encarniçadissimo, possuiram-se de tal terror, que começaram a debandar ante o inimigo, sem attenderem aos chefes, que os incitavam á resistencia. O hetman, não os podendo conter, desesperado, suicidou-se espetando a lança na cabeça. N'isto desencadeou-se uma tempestade medonha que, envolvendo os cossacos cobardes e traidores, os desfez em mil pedaços, misturando-os com a terra dos tartaros.
Pouco depois, do sólo, sepultura dos fugitivos, brotou a Clematis integrifolia. Mas as almas dos cossacos, que não tinham descanço por os corpos estarem sepultados na terra dos tartaros, tanto pediram a Deus, que este mandou semear a Clematis na Ukranie. E desde então, em memoria do facto, as donzellas cossacas enfeitam-se com grinaldas da Tziganka, que passou a ser uma planta nacional».
[MOSTARDA.]
Pela facilidade da multiplicação, a semente da mostarda é entre os povos orientaes symbolo da geração.
Tambem serve o oleo da mostarda para a descoberta das feiticeiras. Para isto basta, segundo os Indús, encher um grande vaso de vidro com agua e derramar-lhe dentro o oleo gotta a gotta, pronunciando no momento da quéda de cada gotta na agua o nome de uma mulher. Se na occasião da quéda da gotta a agua se turva e n'ella se vê apparecer uma como sombra de mulher, aquella cujo nome coincidiu com o lançamento do oleo na agua é, sem a menor duvida, uma grande feiticeira.