Alberto o Grande, no seu curioso livro De secretis mulierum diz que a leituga serve para conhecer, sem o menor engano, se uma mulher é ou não virgem: Accipe fructum lactucæ et pone ante nares ejus; si tunc est corrupta, statim mingit.
Esta planta servia-se outr'ora nos jantares funerarios em memoria da morte do filho de Myrrha; era tambem tida como causadora de impotencia.
Adonis, mancebo d'uma proverbial e extraordinaria formosura, nasceu do incesto de Cyniras, rei de Chypre, com sua filha Myrrha. Foi doidamente amado por quasi todas as deusas, especialmente por Venus e Prosérpina. Estando Adonis um dia a dormir n'um descampado, a deusa Aphrodite, que por alli passou, fez brotar á volta d'elle, para o resguardar dos ardores do sol, um massiço de leitugas.
Um corpulento javali, attrahido pelas leitugas, começou a devoral-as sofregamente, pisando e ferindo tão cruelmente o bello Adonis que elle morreu pouco tempo depois.
Jupiter, o rei dos deuses, condoído dos choros de Venus, deu novamente a vida a Adonis, mas Prosérpina, rainha dos infernos, só accedeu a isto com a condição de que elle passaria seis mezes do anno em sua companhia e outros seis na de Venus.
Venus, porém findos os seis mezes não o quiz restituir a Prosérpina, o que originou grande discussão entre os deuses, e então Jupiter ordenou que Adonis pertencesse quatro mezes a Venus, quatro a Prosérpina e ficasse livre os restantes quatro.
[OLIVEIRA.]
A oliveira representou sempre importante papel nas crenças populares antigas. A oliveira era o simbolo da paz e da abundancia. Foi um ramo de oliveira que a pomba trouxe para a arca, a Noé, em signal de as aguas já se terem afastado da terra, e a paz estar feita entre Deus e os homens. Era com corôas feitas de ramos de oliveiras e de louro que se enfeitavam os vencedores dos jogos olimpicos e os guerreiros victoriosos.
Em quasi toda a Europa meridional substituem no domingo de Ramos as folhas de palmeira por ramos de oliveira, e crêem que estes, queimados em occasião de temporal, abrandam a furia dos elementos desencadeados e livram do raio. Nos Abruzzos, no dia de S. Marcos, vão plantar no meio dos campos um ramo de oliveira, na esperança de boa colheita e de os livrar do granizo e das inundações.
Diziam os antigos que as feiticeiras e o diabo não podiam entrar na casa onde houvesse ramo de oliveira abençoado pelos padres.