A Virgem passado o perigo abençoou as silvas a quem deu a faculdade de vegetarem em todos os terrenos, produzirem fructos saborosos, ficarem defendidas por agudos espinhos dos ataques de todos os inimigos, e amaldiçoou os tremoços dando-lhes um travor semelhante ás amarguras que elles com o seu indiscreto barulho lhe tinham causado, e condemnando-os a nunca podêrem saciar pessoa alguma.
[LOTUS.]
O lotus é uma planta sagrada para os indianos e para os egypcios.
No Egypto chamam á flôr do lotus flôr do Nilo, por isso que, quando o rio trasborda, nas cheias periodicas que são a fertilidade d'aquellas regiões, a superficie das aguas cobre-se completamente de lotus em flôr.
É por isso que os egypcios representam a creação por uma immensa superficie de agua sobre a qual fluctua um lotus collossal. Creem elles que no principio o mundo esteve todo coberto d'agua, d'onde brotou um lotus que, estendendo-se sobre o liquido, o cobriu completamente; dando a tudo a luz e a vida.
É tambem, portanto, o lotus um simbolo da geração espontanea.
A flôr de lotus é dedicada a Osiris, Wishnou e sobretudo a Brahma.
Conta uma lenda indiana que Brahma sahiu de um lotus nascido sobre o umbigo de Wishnou.
A mulher de Wishnou, a formosa das formosas, a maravilhosa belleza oriental, é sempre representada nos templos, sentada sobre uma flor de lotus.
A poesia oriental está cheia de referencias ao lotus, comparando-o a todas as partes do corpo humano. Um poeta indiano referindo-se aos olhos da sua amada que lhe realçam a belleza do rosto, diz que sobre uma flôr de lotus brotaram outras duas bellas flores eguaes.